Como foi ter bulimia.

Oi divas e divos, tudo bem? A pedidos de alguns leitores eu resolvi abrir o jogo e contar como foi o período em que eu tive bulimia. Ao contrário do que muita gente pensa, bulimia vai muito além de comer e vomitar, isso é uma doença e não deve ser levada como frescura, como muitos a classificam por ai.

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Não, eu não tenho bulimia mais. Eu tive quando tinha de 13 a 15 anos, quando estava no auge da minha adolescência e com uma autoestima mais baixa que tudo. Hoje eu estou caminhando para seguir carreira de modelo, mas sou segura do meu corpo e do quanto sou bonita, mas nem sempre foi assim. Quem me ver confiante andando por ai, jamais imaginaria que eu também já estive no fundo do poço.

Eu sempre fui a louca da academia, das aulas de dança, da natação, da corrida, de todos  os exercícios que eu pudesse fazer. Minha mãe sempre dizia: ” você quer agarrar o mundo com as mãos Kauany, mas você não pode.” E realmente, eu sempre tive essa mania de querer fazer tudo de uma vez, até que eu me apeguei somente ao ballet, uma dança tão delicada e maravilhosa que por trás dos bastidores carrega sacrifício e muita coisa horrível, que não é mostrada diante dos holofotes. Foi ai que tudo começou, como eu era uma bailarina com “corpão”, eu achava que não me enquadrava no perfil posto para ser uma bailarina de sucesso. Eu sabia que precisava mudar aquela situação, então vi na bulimia uma solução. 

Um dia estava  sentada no meu querido sofá vendo uma novela, e vi uma cena que despertou algo em mim, a personagem tinha problemas com seu corpo assim como eu e praticava  o ato mais comum da bulimia, que é : comer, comer, comer e depois por tudo pra fora. Eu toda na inocência corri para o banheiro e fiz o mesmo. Mal  sabendo que aquilo iria me assombrar por um longo tempo. Eu passei a vomitar todas as vezes que comia, ficava longas horas sem comer, me alimentava mal, praticava exercícios em exagero, eu me afundava cada vez mais.

Com o passar do tempo sempre que eu comia um peso de culpa vinha sobre as minhas costas. Eu chorava e o tormento só ia embora depois que eu vomitasse. Quando eu acabava meus exercícios sempre sentia tontura, moleza e quase desmaiava. Os sintomas começaram a se agravar, eu comecei a me isolar do meu grupo de amigas, passava uma imagem de durona quando  na verdade eu estava destruída. Eu tentava sair da bulimia sozinha, mas não conseguia. Eu achava que era mais forte do que eu. Minhas amigas e meu ”namoradinho” da época começaram a perceber meu comportamento estranho, até que eu abri o jogo para  eles.

Uma coisa que bulímico tem é vergonha. Nós nos acostumamos a esconder por achar que ninguém vai entender,que todo mundo vai julgar e nos condenar. Chega a um determinado momento que parece não haver saída. Eu fiquei sufocada, cansada de tanto me destruir. Nossa imagem em frente ao espelho e na mente vai ficando distorcida. Eu comecei a enxergar coisa onde não tinha. Eu vestia 36, mas jurava que vestia 42 ,por exemplo. Eu me sentia desprezível, um lixo, mal amada e odiava a mim mesma. Essas é uma das coisas que a bulimia faz, ela chega de mansinho, te faz acreditar que aquilo é bom e depois te devora por inteira.  Como eu superei? Isso fica para um próximo post.

Mesmo que todos digam que você não é boa ou bom o bastante, que não é amadx, bonitx ou não serve pra nada, eu afirmo que você é lindx, que é capaz de fazer tudo o que quer e que há uma força ai dentro de você que nem imagina. Você pode sim, quebrar barreiras, ultrapassar  obstáculos, vencer qualquer problema. Força, foco e fé  meninx que a vida segue. Mesmo que ela não para pra você se recompor, Deus para e ele parou  todas as vezes que eu cai. Eu gostaria que você soubesse que no mundo há pessoas boas que se preocupam com você e que és mais forte  do imagina.

E aí? Querem uma continuação dessa história? Ou algum assunto relacionado com esse tema? E vocês? Já tiverem algum problema parecido com esse? Deixem nos comentários e beijos da cacheada.

P.S.: com o intuito de ser inclusiva e  economizar tempo, decidi me referir a vocês de maneira mais universal, já que tenho um público muito variado. Sendo assim, no lugar de colocar as palavras no masculino e no feminino, colocarei um ” x” na terminação.  Assim você, independente do gênero ou orientação sexual  escolhida poderá se identificar melhor.

 

 

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