Isa e Pedro

Quando levantei a cabeça reparei que seus olhos cor de mel me fitavam, ou melhor dizendo, me devoravam. Assim que meus olhos cruzaram com os dele, percebi na emboscada que havia me metido. Mas já era tarde, ele me envolveu em um abraço, enquanto sussurrava em minha orelha um: ” você está bonita hoje, aposto que esses caras estão afim de te levar para outro lugar”- Só então me dei conta de que uns homens altos e atraentes olhavam na minha direção.

-Você não gosta disso, não é? – retruquei me soltando daquele longo abraço,mas desejando ficar ali para sempre.

– Dos caras te comendo com os olhos? Não, eu não gosto- notei o desconforto em sua voz enquanto seu olhar se desviava de mim.

– Ciúmes? Que bonitinho.

-Ha ha ha, dá para a gente entrar nessa maldita festa junina?

–  Alguém acordou mau-humorado hoje ou foram só os caras que te deixaram assim?

– Isa, você sabe que eu odeio festa junina.- ele respondeu enquanto entrávamos na festa.

– Então veio por mim?

-Não, eu vim porque ganha ponto estar nessa festa sem graça de colegial.- Eu o olhei com uma expressão de ” conta outra”.- Ok, e por você.- Não pudi conter um breve sorriso, mas eu estava decidida a não criar expectativas naquela noite. Naquele momento eu sentia que ficaríamos juntos, mas a ideia de o encontrar no dia seguinte me assombrava. Com o Pedro era assim, eu nunca sabia se seria a única, se nossos lábios ainda se selariam no outro dia ou se eu teria que esquecer e fingir que nada acontia entre nós. – Isabela, pamonha ou pipoca?- a voz dele me trouxe de volta dos meus pensamentos.

-Do que você está falando?

-Caramba, não ouviu nada do que eu disse? O que você tanto pensava?

-Nada.

-Enfim, você quer pamonha ou pipoca?

-Suco- ele gargalhou- O que foi? Qual a graça?

-Só você para pedir suco sendo que tem uma variedade de comida por aqui.- disse olhando em volta.- Não entendo qual é desses vestidos bregas.

-Parar de matar aula de história e geografia te ajudaria a entender melhor.- provoquei levantando a sobrancelha.

-Muito engraçado nerd. Então você usaria esses vestidos?

-Você sabe que não, é a coisa mais cafona do mundo.

– Mas você ficaria bonitinha Isabela.

-Não enche Pê- disse, me virando de costas e seguindo caminho.

– Onde vai? – senti sua mão firme em meu pulso.

-Ver se eu encontro a barraca do beijo.

– Isa, você não precisa de barraca do beijo, não mesmo.

– Ah não? Por que não?- me virei para ele e reparei que seus olhos transmitiam fogo.

-Você não vai beijar esses caras horríveis.

-Mas até que eles são bonitinhos e o grêmio estudantil precisa de dinheiro.

-Você nem faz parte do grêmio. Por que se candidatou para ficar nessa maldita barraca?

-O presidente do grêmio é meu melhor amigo, ele precisava de ajuda. – eu tentava explicar enquanto caminhava em direção a barraca do beijo.

-Isabela,por favor,não.

-Por que não Pedro?

-Porque eu não quero.

-Desde quando você manda em mim?- levantei um pouco a voz, eu não acreditava que ele queria mandar em mim.- Eu não sou sua boneca Pedro.

-Isabela não foi isso que eu quis dizer, eu me expressei mal.

-Então o que quis dizer?

-Eu quis dizer que não quero, porque eu não aguentaria te ver beijar uns trinta caras essa noite.

– Então está dizendo que não posso beijar quantos eu quiser?

-Não, não é isso- comecei a dar passos largos- Espera, o que eu estou tentando dizer é que…

-É que? Anda Pedro, me dê um motivo para não beijar uns trinta caras essa noite.- eu notei que ele respirava fundo enquanto caminhava até mim.

-Você quer um motivo Isabela?- sentia suas mãos fortes me segurando pela cintura, nossa respiração ficou acelerada e quando me dei conta nossos lábios estavam selados. Nossa língua se encontravam enquanto caíamos numa sintonia perfeita, minhas mãos passeavam pelos seus cabelos conforme nossas cabeças se mexiam como se dançassem.

-Não Pedro, não, eu prometi que não cairia no seu jogo.-o afastei.

– Não é um jogo.Eu gosto mesmo de você.

-Você só tem dezessete anos, como sabe se gosta mesmo de mim?

-Eu sei que não se pode ser sério aos dezessete anos, mas eu estou falando sério, eu gosto mesmo de você.

-Você acabou de citar um poeta francês?- o fitei.

-É isso que tem a me dizer?- perguntou com uma voz chateada.

-Não, eu também gosto de você, é só que pensei que não sabia ler.- eu sorri, me aproximando dele, eu o abracei e foi a minha vez de sussurrar próximo a sua orelha:- Eu não me candidatei para a barraca do beijo, só queria ver sua reação.

-Você ainda vai me enlouquecer.

-Você não perde por esperar- ele sorriu e ficou me olhando.

-Isabela, eu não sei quanto tempo vamos durar, mas a única certeza que tenho agora, é que você é a mulher da minha vida.- não pudi me conter, e o beijei novamente na frente de todos.

-Me dê batata-frita e serei para sempre sua- ele riu.

-Não tem como te levar a sério Isa, eu me declaro e você só pensa em comer.

-É que eu gosto muito mesmo de batata-frita e de você.

                                                                       XOXO,Cacheada.

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