História da Moda: 1870-1914

   Hey guys! Pra quem fez o ENEM, sobreviveram meus amores? A ansiedade e o estresse já diminuiu ou não? Eu continuo do mesmo jeito, acho que só vai passar no dia que eu ver o resultado do SISU. Mas a vida continua, e também tem coisas boas acontecendo tipo o post da semana! haha. Hoje é o primeiro “capítulo” da nossa série sobre a História da Moda e vamos falar um pouquinho sobre a virada do século XIX para o século XX, e dos impactos que os acontecimentos da época tiveram na forma como as pessoas se vestiam. Vamos lá?

   Introdução

   A época de transição entre os séculos também ficou conhecida como a Belle Époque. É nesse período que podemos apontar com maior precisão o início da modernização do vestuário, especialmente do vestuário feminino. Os modelos de roupa começam a se parecer um pouco mais com as formas reconhecíveis na contemporaneidade, e passam também a expressar um desejo das mulheres por igualdade social. Esse desejo por libertação das mulheres, no entanto, não é perceptível na história da alta-costura, e sim nos modelos de tweed dotados pelas mulheres de classe média que haviam começado a ganhar seu sustento trabalhando como governantas, balconistas e datilógrafas. A roupa de alfaiataria, inspirada nos tailleurs usados pelas mulheres da alta sociedade para viagens e atividades campestres, se tornou um símbolo da quebra de paradigma que libertou a mulher do ambiente caseiro. A atividade de lazer, antes privilégio da alta sociedade, passou a se tornar mais universal a medida que as jovens de famílias recém- estabelecidas na classe média cresciam e essa sociedade que tinha um estilo de vida envolto na educação, divertimento e esportes, precisava que suas roupas acompanhassem seu ritmo.

   Enquanto isso a  alta sociedade era caracterizada pelo elevado nível de consumo e excesso. Eduardo VII havia assumido o trono da Inglaterra e seu estilo de vida baseado nos calendários sociais ditava a sociedade na época. A figura feminina em S, que definia a forma ampulheta por meio de espartilhos de ferro, era bastante admirada pelo Rei e por isso era o ideal feminino no período, o vestido da mulher era também uma exibição de sua riqueza. A Paris da Belle Époque era movida a champanhe e aos ideais boêmios. As roupas de baixo das nobres eram tão enfeitadas quanto a das prostitutas, e tão cheias de babados quanto a das bailarinas de cancã do Moulin Rouge. 

   Em 1892 foi lançada a revista Vogue em Nova York,  onde documentaram a subida da cintura para a linha Diretório no início do séc. XX; as mulheres começam a assumir uma postura mais confiante. Mais tarde, na Europa, uma onda de exploração artística levou lavou à substituição da ostentação para a expressão de novas ideias de exotismo e modernidade.

A Anquinha 1870-1885

Por todo o final do séc. XIX a forma feminina continuou a ser moldada por estruturas de arame ou enchimento usadas por debaixo dos vestidos, que com certeza eram bastante desconfortáveis, I mean, eu não paro de tentar imaginar como elas sentavam com essas estruturas.foto-21

No fim dos anos 1860 o corpete de cintura alta se alongou e a aba do corpete-paletó ficou mais comprida e passou a ser usada sobre uma saia “bojuda” na parte de trás, como a da moça de vestido laranja na foto. Alguns dos elementos da moda desse período eram saltos alexandracoronation1altos, vestidos com duas estampas bastante coloridas, chapéis sobre enormes cachos e enchimentos de cabelo falsos, conhecidos como “scalpettes”. A ostentação era visível nas roupas das damas da nobreza na opulências de seus vestidos.

 “Meu enxoval custou mais do que tudo que eu e minha irmã juntas já gastamos em nossas vidas inteiras.”

                   Alexandra da Dinamarca, sobre seu casamento com Eduardo VII, 1863.

 

O Traje Racional 1880-1890

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   Embora o final do século XIX tenha sido uma época de intensa ostentação e excessos haviam grupos ligados aos movimentos artísticos alternativos que desejavam expressar sua aversão ao sistema mercantilista. Um deles, o Movimento Estético, grupo de artistas e escritores que desenvolveram o Culto à Beleza, foi satirizado ao tentar manifestar suas ideias em suas roupas. Acreditavam que a beleza artística deveria ser incorporada a vida cotidiana como um prazer sensual. Os pré-rafaelitas queriam revitalizar os ofícios dos artesãos anteriores à Revolução Industrial. Os dois grupos rejeitavam o uso do espartilho. Em 1884, abriu em Londres a primeira loja onde vendia-se o Sistema Sanitário de Lã do Dr, Jaeger, que promovia o uso da lã em contato com a pele como benéfico à saúde. Nessa loja podia-se encontras o Espartilho da Saúde, vendido como uma alternativa aos espartilhos tradicionais.

A Mulher Ativa 1890-1900

   A Garota de Gibson, personagem criada pelo artista Charles Gibson, representava uma jovem mulher ativcamilleca e de espírito livre, moderna e confiante. A Garota de Gibson foi usada como referência pelas mulheres por quase duas décadas, e influência nas vendas de roupas e artigos para o lar. O ideal ampulheta ainda era mantido e, a atriz belga Camille Clifford ficou famosa ao ganhar uma competição em busca da Gibson Girl perfeita. Ao final do século os esportes – como lacrosse, ciclismo, tênis, golfe e hóquei – haviam se tornado bastante comuns e era necessário que as roupas femininas se adaptassem a prática dos mesmos. Nesse memento o Movimento Racional ajudou a incitar mudanças nos vestuário feminino, como saias rodadas mais amplas e mangas bufantes que davam um pouco mais de espaço para movimento.

“Seria emocionante usar um vestido com mangas bufantes… Eu preferiria parecer ridícula, se é essa a aparência de todos os outros, a ser a única sem graça e sensata.”

L.M. MONTGOMERY, Anne of Green Gables, 1908

O Espartilho em S 1890-1900

   Durante a Belle Époque os ricos desfrutavam de extrema pompa e o espartilho em S era o símbolo dessa vida privilegiada. O espartilho dividia opiniões, e embora a comunidade artística exercesse grande influência com o Art Nouveau e o orientalismo, não eram tão influentes quanto a frivolidade. A princípios considerado saudável, por retirar pressão do abdome e projetar o busto para a frente e os quadris para trás, o espartilho marcou a estrutura das roupas no final do século. As roupas também eram marcadas por decotes profundos, luvas longas e roupas de baixo com babados e anáguas enfeitadas com rendas.

A Túnica-abajur 1908-1914

   Com a chegada dos Ballets Russes de São Petersburgo à Paris em 1909 um nova forma de dança, cenário, música e figurinos entusiasmou e assombrou a cidade. Com influências orientais, a riqueza de coloridos e cortes exóticos trouxeram uma mudança fundamental para o vestuário que baniu oficialmente a figura eduardiana e o uso de espartilhos. Os estilistas foram rápidos em responderem à vanguarda russa e em 1912 Paul Poiret lançou sua coleção inspirada em desenhos orientais do figurinista Léon Bakst. A coleção era composta de turbantes, calças de odalisca, e a famosa túnica abajur, a última possuía um arame na borda para que esta se destacasse ao redor do corpo. As vestimentas eram compostas por tecidos coloridos, formas moles e drapeadas, sobretúnicas e calças de odalisca usadas sob a saia.

 A Saia-funil 1910-1914

   As saias vinham se estreitando desde a virada do século, mas a saia-funil de Poiret gerou polêmica no mundocef8e3511dec69c3107ce7bc3839a6d8 da moda no ano de 1911. As linhas desestruturadas desses vestidos entravam em contraste com as linhas definidas da Garota de Gibson. A silhueta drapeada caía de uma linha suave no busto e estreitava-se bastante entre os joelhos e os tornozelos, restringindo as mulheres à passos pequenos como os das gueixas japonesas. A ideia da saia funil estava em conexão com as inspirações orientais de Poiret e com sua visão da mulher como uma cortesã exótica e glamourosa, entretanto a saia justa ia em contradição com os movimentos de libertação da mulher nas últimas décadas. Os protestos das suffragettes estavam em seu auge, mas as mulheres elegantes tinham que andar a passinhos minúsculos.

Filmes
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Anna Karenina – é um filme de 2012, com direção de Joe Wright. É baseado na obra de Tolstoy de mesmo título, ambientalizada entre 1873-1877 na Rússia. Além do filme possuir uma montagem de cenário diferenciada e maravilhosa, o figurino é impecável e mostra bastante dos costumes de vestuário da aristocracia russa ao fim do século XIX. Com um quadro de atores incríveis como Keira Knightley, Jude Law e Aaron Johnson, o filme possui por si só uma história linda e imperdível.

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Moulin Rouge – é um musical de 2001 dirigido por Baz Lurhmann, com cenário no famoso cabaret parisiense durante a virada do século XIX para o século XX. O filme retrata um pouco da vida boêmia e extravagante do início do século contanto com personagens e cenário bastante caracterizado. Assim como Anna Karenina, Moulin Rouge possui uma história de amor linda e uma construção de cenário bastante excêntrica. Além de um figurino maravilhoso o filme também conta com uma trilha sonora linda e com a atuação de Nicole Kidman e Ewan McGregor.

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Titanic – filme de 1997 dirigido por James Cameron, se passa em 1911 durante a primeira e única viagem do Navio Titanic. Com um elenco composto por Leonardo DiCaprio e Kate Winslet o filme possui um figurino bem produzido, onde podemos perceber tanto as roupas usadas pela classe alta quanto pela população mais pobre durante a primeira década do século XX.

   Uff. Grande né? É só isso por hoje pessoal. Eu tentei resumir o máximo que pude mantendo vários detalhes. É engraçado ver como as mulheres se vestiam naquela época e o contraste com as roupas que usamos hoje, já pensou você ter que andar de bicicleta usando vestido longo e mangas bufantes? A gente já morre de calor e cansaço usando shorts e regata! Isso é que era vontade de andar de bicicleta! Espero que todos gostem e assistam os filmes indicados, já assisti todos pelo menos uma vez e são todos maravilhosos e ótimos pra observarmos as roupas melhor. Até semana que vem com um dos meus períodos favoritos!

Love, C

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